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Minha entrevista para o Gestão Pública em Debate

Recentemente fui entrevistado pelo professor Jorge Bernardi para o programa Gestão Pública em Debate com tema Ética e Cidadania. A primeira...

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Porque eu desprezo a ideia de conversão

Muitos amigos já se surpreenderam ao saber que desprezo a ideia de conversão. E como nem sempre há tempo de explicar, resolvi escrever esse post, pois depois posso referir a ele, para facilitar.

Talvez por ser adepto de uma tradição que não é apenas um sistema de crenças, mas é o cerne da existência. E que está muito mais para um modo de vida do que para uma religião no sentido moderno. Eu tenho uma visão abstrata de culto e religiosidade, importando muito mais a essência do que a forma.
Compreendo que, parafraseando Möngke Khan, assim como fez diferentes os dedos das mãos, também a natureza fez diferentes as formas como nos relacionamos com ela.
Na minha visão, só o que torna um homem parte de uma tradição, culto, modo de vida ou religião é a prática e a sinceridade com que pratica. Por isso eu desprezo as noções de batismo, conversão, supremacia religiosa e principalmente uma noção que ficou popular no ocidente ADEPTO NÃO PRATICANTE.
Se você não vive de acordo com os preceitos de sua crença, você não faz parte dela. Não há sentido em fingir acreditar ou fingir praticar, pois eu também não acredito em instituições religiosas. Instituições não validam suas crenças.

É obvio que um membro de qualquer religião patriarcal vai discordar de mim, mas lembre, eu não estou tentando te convencer, estou apenas explicando como eu vejo o tema! Eu não quero que você acredite no que eu acredito, eu desprezo a conversão!

segunda-feira, 14 de março de 2016

MEiO de TuDO: A vida com trilha sonora é mais legal. Como criamos ambientesindividuais

Originalmente publicado em MEiO de TuDO: A vida com trilha sonora é mais legal. Como criamo..




Hoje eu tive um insight sobre algo magnífico da vida moderna, que em geral nos passa despercebido. Como nós alteramos o nosso ambiente pessoal. É incrível, mas nós levamos essa coisa que alterar o ambiente muito a sério, na opinião de muitos essa é a característica fundamental do ser humano, alterar significativamente seu ambiente. Ok, os macacos fazem umas casinhas e usam ferramentas rudimentares para "pescar" formigas.. Me liga quando o primeiro macaco construir uma jangada a vela. Nós levamos isso tão a sério, mesmo sem perceber, que passamos a alterar o ambiente do ponto de vista do indivíduo, mais que isso, passamos a criar ambientes individuais em movimento.

Veja isto. Descia eu as escadas do meu prédio para ir ao correio, com os fones de ouvido, ainda sem ouvir nada. Passei pela fofoqueira do prédio e isso me irritou um pouco. Como eu sei que o preciso ser mestre da mente controlei e achei que faria bem ouvir uma música ao invés de um podcast. Então, andando pela rua me senti como em um filme, era um música animada que combinava com cenas de estrada. Parecia trilha sonora.

Então veio o insight. Carros, fones de ouvido, óculos que mudam a paisagem... Nós criamos micro-ambientes completamente individuais, capazes de se adaptar às nossas necessidades e gostos de momento.

Começou com a muito tempo, mas percebemos o potencial com a música portátil. Com os carros podemos levar o escritório ou parte da casa conosco, cores, cheiros, sons, se você cuidar bem do carro e tiver essa percepção ele vira quase o seu mundo particular, alterando tudo a sua volta. É claro que não dá para se desligar totalmente do mundo ainda, afinal você tem que cuidar do transito, mas já estamos caminhando para isso com os protótipos de carros robóticos. Bem, quem tem motorista ou vai estar nas olimpíadas do Japão em 2020 (carros robô) já está praticamente nesse nível.

Fones de ouvido já a muito tempo colocam trilha sonora na nossa vida cotidiana, e parece que assim é o certo, parece que assim é melhor. Só falta a parte visual, eu pensei, mas já estão saindo uns óculos legais aí.. E, estando em carros, já fazemos um pouco isso de alterar a parte visual.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Minha entrevista para o Gestão Pública em Debate

Recentemente fui entrevistado pelo professor Jorge Bernardi para o programa Gestão Pública em Debate com tema Ética e Cidadania.
A primeira parte é com um pessoal do Rotary e a minha entrevista é no segundo bloco.
Falei sobre o tema da minha dissertação de mestrado,  sobre liberdade, relativismo moral e libertarianismo.
Também dei uns pitados em uma questão sobre anarquia, embora tenha mais respondido ao entrevistador do que falado sobre anarquia de fato.


Sobre estes temas eu recomendo as seguintes obras:

Anarquia, Estado e Utopia por Robert Nozick (minha principal referência)
The Road to Serfdom: Text and Documents por  F.A. Haiek
Capitalismo e Liberdade por Milton Friedman
Como Ser um Conservador por Roger Scruton

Philosophy of Physics: Space and Time: Space and Time (Princeton Foundations of Contemporary Philosophy)  por Tim Maudlin
The Philosophy of Space and Time por  Hans Reichenbach
Bayes or Bust?: A Critical Examination of Bayesian Confirmation Theory por John Earman


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quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Lá vem CPMF, prepara teu bolso camarada

Recentemente falaram em reativar para a saúde, agora para a previdência. Eles não se importam com essas "razões", só querem reativar um imposto que sentem que perderam.
Depois do fim da CPMF o IOF disparou. Você acha que o IOF vai baixar agora? E você acha que o próximo governo vai querer revogar a tal da CPMF provisória?
É claro que não e não!
O único interesse do governo é espoliar a sociedade.
Governo propõe volta da CPMF para financiar Previdência Social
Impacto esperado do imposto nas medidas fiscais é de R$ 32 bilhões.
Ministro da Fazenda espera que imposto não dure mais que quatro anos.
Veja a matéria, inclusive com video do canalha Levyano: http://g1.globo.com/economia/noticia/2015/09/governo-propoe-volta-da-cpmf.html

Deferido o registro do partido NOVO



O Novo, na minha visão, é um partido pragmático com fundamento liberal. Particularmente eu sou mais o Libertários, que se posiciona como totalmente liberal, embora esteja mais longe de se efetivar como partido, ainda assim o Novo é um grande avanço para o Brasil, que atualmente praticamente só tem partidos de socialistas e social-democratas.
Mesmo os colegas mais a esquerda, com quem tenho conversado, concordam que o Brasil precisa de mais variedade nos partidos, não apenas variedade de partidos, mas de posicionamento dos partidos.


Dê uma olhada no site deles http://novo.org.br/conheca e na fanpage Partido Novo, eles sempre estão colocando informações de como se organizam como partido para ser diferente dos que já existem, por exemplo, a contribuição partidária não aumenta quando a pessoa é eleita.

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Novo Kindle Paperwhite

De 3 a 13 de setembro o Rio de Janeiro sediará o maior evento literário do Brasil. Para que todos possam aproveitar a XVII Bienal do Livro, a Amazon criou um desconto exclusivo para nossos leitores.
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sábado, 22 de agosto de 2015

O que karma NÃO é!

Nota: O foco aqui é afastar a concepção exotérica de karma que permeia a cultura geral. Naturalmente falarei do que o karma é mais do que daquilo que não é, para isso trarei vários conceitos budistas. Certamente também, não esgotarei o tema nem darei conta de explicar todos os conceitos budistas envolvidos apenas nesse post. Aguardem os próximos e compartilhem com quem precisa ou deseja saber mais.
- Willyans Maciel

Sutra de lótus

Karma não é um balão mágico flutuando sobre a cabeça das pessoas, dando e tomando.
Budismo não é baseado em recompensa e castigo. Quando você está guiado pela recompensa e castigo isso significa que você está preso a um processo de apego e aversão excessivos. O budismo existe para escapar desse processo, então karma, uma das noções mais importantes do budismo, não pode ser baseada nisso.
Ainda, no budismo não existe sobrenatural, não existem seres fantásticos (como deuses), então, não há quem dê e tome.
Budistas eventualmente irão dizer que algo é karmico, ou que tal acontecimento é fruto do karma. Quando bem entendido, isso não significa que karma é "algo" sobrenatural ou "exotérico que influencia a vida das pessoas.

Isso nos leva a pergunta contrária. O que é karma.

A palavra "karma" significa "ação". Simples assim. Então quando a pessoa perguntar "meu karma é responsável por isso?" a resposta é "SIM", pois traduzindo, o que ela perguntou foi "minhas ações são responsáveis por isso?" e em ultima instância, "eu sou responsável por isso?", ora, a causalidade, muito bem conhecida dos filósofos e qualquer pessoa de bom senso, está aí para explicar como isso funciona. Em terminologia budista, essa pessoa gerou causas que tiveram como efeito aquilo de que ela fala. Essas causas, que dizemos "gerar karma", geralmente são as causas internas, que geram as ações. O Sutra de Lótus afirma:

"Essa realidade consiste de: aparência, natureza, entidade, poder, influência, causa interna, relação, efeito latente, efeito manifesto e consistência do início ao fim."

Aplicando essa passagem ao contexto da pessoa que perguntou se "é karma", vemos que é uma relação de causas gerando efeitos e esses efeitos se manifestando na realidade. "Essa realidade" se refere à realidade de como a vida funciona, com "consistência do início ao fim". O que mais funciona com consistência do início ao fim? Argumentos, argumentos lógicos.
No caso dos argumentos, havendo consistência verdade entra, verdade sai. No caso da vida cotidiana, dependendo das causas o efeito equivalente se manifestará, é isso que o Sutra de Lótus afirma.

Em ultima instância, não é como se você "merecesse" um castigo. É como se a sua forma de agir o levasse a tomar decisões boas ou decisões ruins e isso se manifesta em uma forma que as pessoas chamariam de castigo. Alguém que rouba, está se colocando em uma situação em que pode morrer ou ser preso, e mesmo que isso não aconteça, a possibilidade de isso acontecer o perturbará. Então o bandido pergunta ao budista "eu não consigo dormir, isso é fruto do meu karma?", sim, é fruto do seu karma, mude sua vida e provavelmente você conseguirá dormir. É claro que o exemplo não é perfeito, o bandido pode ter insônia e precisar de tratamento. E ao explicar isso precisaríamos falar de outra relação karmica, pode ser que a insônia seja derivada de algo que poderia ser evitado ou já ter sido tratado, então, ele não consegue dormir hoje, porque não tratou no passado.
Trata-se de inferência. Como quando um filósofo ou cientista infere a causa de um fenômeno.
Isso nos mostra também que a vida é mais complexa do que imaginamos e que as relações karmicas não funcionam assim tão simples e reto como recompensa e castigo. Na recompensa e castigo existe uma recompensa para cada ação boa e um castigo para cada ação má. Quando tratamos de karma, as relações se complexificam e nem sempre fica evidente a causa que gerou aquele efeito, podendo ser várias causas.
Existe uma rede de ações e consequências que pode escapar à nossa consciência.
Além disso, seria muito consequencialismo de minha parte supor que todos os humanos são capazes de prever as consequências de suas ações. Podemos ficar melhores nisso, conforme elevamos o nosso Estado de Vida, mas, se estamos discutindo isso, ainda não estamos em um Estado de Vida elevado a esse ponto, não é mesmo?

Determinismo, mas não radical

Então surge a questão, estará tudo determinado pelas causas do passado? É o budismo uma doutrina determinista ao extremo? Grande estudioso do budismo, professor Makiguti nos traz uma resposta. Parafraseando-o (porque não encontrei a citação completa): Se essa lei fosse assim tão fria e determinista, o que estaríamos fazendo aqui? O objetivo de se evidenciar a lei de causa e efeito é justamente compreender que podemos mudar os efeitos do futuro, ao mudar o que podemos mudar, as causa internas, influenciamos positivamente o ambiente.

Não é canônico mas gosto muito quando Peter Drucker diz: "A melhor maneira de prever o futuro, é cria-lo". Drucker acreditava na liberdade humana e na capacidade de criar e tornar-se melhor, aprendendo com os erros, Makiguti, também.

Para usarmos uma citação canônica: Nichiren escreve “Se deseja saber que causas foram feitas no passado, observe os resultados que se manifestam no presente. E se deseja saber que resultados serão manifestados no futuro, observe as causas que estão sendo feitas no presente"
(Abertura dos Olhos. Nichiren Daishonin. Os Escritos de Nichiren Daishonin. Vol. 1).

Nós não podemos mudar a Lei de Causa e Efeito (as vezes chamada de Lei Mistica por ser toda a extensão de sua influência de difícil compreensão)
A dor, muitas vezes, não pode ser evitada, mas o sofrimento pode. Quando compreendemos como a vida funciona, entendemos o que não podemos mudar e o que podemos mudar, não precisamos mais sofrer. Citando um antigo provérbio budista: “a dor não pode ser evitada, o sofrimento sim.”
Sofrer é opcional. Você pode ser forte o bastante para não sofrer e crescer com cada consequência percebida como negativa, é isto que chamamos de "transformar o veneno em remédio".
É a forma como você enxerga a vida (sua "visão de vida"), a decisão de acreditar que é capaz de levantar-se só e fazer melhor ou a decisão de que não é forte o bastante para superar esse problema. No budismo não existe resignação. É claro que todo mundo prefere a prosperidade, e não há problema nenhum nisso, a questão é que, quando não sofremos pela prosperidade (apego excessivo que se relaciona com a aversão da situação oposta) não sofreremos também pelo declínio. (prosperidade e declínio são dois dos 8 ventos ou condições que influenciam/agitam a vida).
E lembre, isto é um processo gradual e recorrente (é fácil cair em estado de ira nos dias atuais, não é mesmo?).

Difícil entender? Eu tenho um ótimo exemplo.

Imagine que você está andando pela calçada e vê uma pessoa que lhe fez um grande mal no passado. Você deseja que ela tropece, caia na rua e morra atropelada. Enquanto encara a pessoa desejando que ela morra, você tropeça em um buraco (uma situação da vida) e cai. Esse é o karma imediato.
Agora imagine que não havia buraco ali, mas alguns metros a frente. Você passou e continuou imaginando a morte da pessoa e então bum, caiu no buraco. Esse é o karma negativo que se manifesta posteriormente e cuja causa pode se somar a outras para piorar o resultado.
Você não foi "castigado", foi a soma de causa interna, estado de vida, situação e condição que lhe deixou mais propenso a cair no buraco. E se acontecer muito depois, você pode ficar pensando, "o que eu fiz para merecer isso?".
É claro que, como todo exemplo, este também é limitado, mas tenha em mente que o objetivo é elucidar o que eu disse acima e não expor todo o conceito através do exemplo. Agora, como evitar isto? Como evitar cair no buraco se não podemos fazer com que o buraco deixe de existir, nem sumir com a pessoa?
Você não precisa morrer de amores pela pessoa que te fez mal (pelo contrário, deve ser cauteloso e afastar-se dessa pessoa), nem aceitar cair no buraco. Você precisa retornar a uma postura equilibrada que lhe permite ter foco e observar o mundo a sua volta, aproveitando a vida mesmo com a existência de situações adversas, sem apego excessivo às condições favoráveis, a ponto de não ver os problemas e perigos, nem aversão excessiva às desagradáveis, a ponto de não ver as soluções. Ao trabalhar para se tornar mestre da sua mente, essa postura irá ajudar a mudar seu ambiente (seja por contagiar o que está a sua volta, seja por você se afastar do que te faz mal).

Na prática

Não é o objetivo principal desse post, mas não poderia deixar de falar sobre o que se pode fazer para amenizar os efeitos do karma negativo das causas passadas e prevenir o futuro, porque o sofrimento que ainda não veio, deve ser evitado.
Para nos tornarmos mestres de nossas mentes, usamos a prática meditativa, em meu caso a melhor forma já desenvolvida, o daimoku do Sutra de Lótus, que é a recitação continua do título do Sutra de Lótus, a essência dos ensinos de budistas de acordo com Nichiren Daishonin, o estudo dos conceitos que exploram e explicam a situação, através do estudo e leitura dos Sutras e outros estudos complementares, e a observância das nossas ações, não adianta nada estudar muito, praticar o daimoku e não prestar atenção à própria vida.
Parece simples? E é de fato, mas não é nada, nem um pouquinho, fácil.

A palavra "Karma" em outros contextos

Algumas pessoas irão dizer que outras doutrinas também usam o conceito de karma. Não é o mesmo conceito. Essas doutrinas acreditam em coisas sobrenaturais, então sua vida pode ser influenciada por espíritos ou deuses.
Isso não é compatível com o conceito de karma apresentado aqui. Então, embora seja a mesma palavra, não é o mesmo conceito.